Como todas as coisas na vida, tudo o que for em excesso faz mal a saúde, e esta bebida se ingerida em grandes doses pode trazer sérios problemas para a sua saúde. Esses energéticos contém muita cafeína para diminuir o estado de sonolência. Ela age sobre o cérebro inibindo o sono. Com isso, o cérebro entende que há uma emergência em curso e dá o comando para a liberação de adrenalina no sangue, o que deixa a pessoa em estado de alerta rapidamente. Para manter uma pessoa acordada e disposta, alguns ingredientes das bebidas energéticas atuam para acelerar o batimento cardíaco, um desses elementos é a taurina. Um ponto importante é que a pessoa não faça exercícios após consumir tais produtos, pois com o coração acelerado, um esforço ainda maior pode levar a um colapso, um enfarte fulminante.

Além do coração, é possível que o cérebro sofra danos. Para que o sangue seja bombeado com mais facilidade – e, assim, se gaste menos energia – alguns componentes dos energéticos “diluem” o sangue, deixando-o mais “fino”. O risco é de uma hemorragia cerebral.

Se o consumo for frequente, há ainda uma série de doenças nervosas e neurais que podem aparecer a longo prazo. A cafeína também estimula a perda de cálcio, magnésio e potássio, elementos fundamentais no metabolismo celular. Perder o cálcio, especificamente, pode gerar uma perda de massa óssea no futuro.

Especialmente entre os jovens, o consumo maior de bebidas energéticas é feito em baladas, misturada com vodka, por exemplo. Neste caso, o principal problema é a falsa sensação de sobriedade causada pelo energético. Muita gente acredita que o energético ajuda a diminuir os efeitos do álcool sobre o organismo, mas isso não é verdade. O que acontece é que a bebida energética aumenta a sensação prazerosa gerada pelo álcool e, ao mesmo tempo, faz com que a pessoa não perceba que está ficando bêbada.

Um dos riscos, por exemplo, é, depois da balada, o indivíduo achar que está em condições de dirigir, quando está totalmente embriagado. Abusar do álcool quando se faz a mistura também é muito fácil. Pois, além de disfarçar a sensação de embriaguez, o gosto fica muito mais agradável, a pessoa não tem dificuldade em beber muito além da conta.

O que é um energético?

Energéticos são bebidas à base de cafeína e outras substâncias estimulantes, como a taurina e a glucoronolactona, que potencializam a resposta do cérebro aos estímulos, deixando o corpo mais ativo ou acelerado.
Sua fórmula faz com que a pessoa se sinta revigorada durante algumas horas o que causa uma disposição aparente. Mas a ação dos energéticos também tem efeito rebote para o organismo.
“É um meio falso de restabelecer o pique. Passado o efeito, você fica ainda mais cansado e sente os efeitos do estresse muscular”, explica o fisiologista Paulo Zogaib.
Quando consumidas em excesso, as substâncias estimulantes causam ansiedade, agitação, cefaleia e, em alguns casos, apresentam grau de toxidade questionável, como a taurina e a glucoronolactona. “São substâncias que alteram o funcionamento de nosso organismo de forma brusca, por isso devem ser ingeridas com moderação e certa cautela”, diz Zogaib.

Um energético hidrata o corpo?

Não, pelo contrário, é uma bebida diurética, que faz o organismo eliminar líquido. Segundo a nutricionista Roberta Stella, a principal característica dos energéticos é aumentar a resistência física devido à presença, principalmente, da cafeína. “Eles não foram desenvolvidos visando à hidratação e, por isso, não devem ser consumidos com esta finalidade, sendo necessária a ingestão de água para obter uma boa hidratação”, explica.

Por que a combinação com álcool é perigosa?

Quando são consumidos em combinação com álcool, os energéticos provocam aumento da adrenalina, palpitações, suor e dependendo da quantidade ingerida, podem levar à desidratação já que os dois são diuréticos. Segundo Paulo Zogaib, a combinação do energético com o álcool é perigosa, porque leva a excessos de ingestão de ambas as substâncias.
“O álcool é um depressor do sistema nervoso central (ele retarda as respostas do cérebro aos estímulos), enquanto o energético é um estimulante, por isso, quando ingerimos álcool é preciso aumentar a dose de energéticos para se alcançar o efeito de euforia. A pessoa que bebe a mistura fica mais acelerada pela ação do estimulante e mais corajosa pela ação do álcool, o que pode ser perigoso”, afirma o fisiologista Paulo Zogaib.

O energético tem a mesma função dos isotônicos?

Não. Para a nutricionista Patrícia Ramos, esta é uma substituição perigosa que pode levar a problemas mais sérios como a desidratação. De acordo com uma pesquisa realizada pela Unifesp, em dezembro de 2009, 20% das pessoas que bebem energéticos os consomem nas academias como se fossem isotônicos.
Os energéticos foram criados para amenizar a sensação de exaustão e cansaço, enquanto os isotônicos têm o objetivo de repor a água e os sais minerais que perdemos após uma atividade. “Os energéticos aceleram nosso cérebro e nossas funções, camuflando a sensação de cansaço. Já os isotônicos repõem nutrientes importantes. Trocar um pelo outro pode comprometer a saúde e o desempenho de quem não está atento a estas diferenças”, explica Patrícia.

Eles prejudicam o sono?

Sim. Em um primeiro momento você perde o sono e fica acelerado, porém, segundo Paulo Zogaib, acabado o efeito, o organismo precisa compensar as horas de sono perdidas e daí a pessoa tende a dormir mais. “Você fica agitado por umas horas e não dorme, depois, dorme demais para compensar o tempo perdido”, explica.

Vicia o organismo a ponto de perder o efeito?

Sim. Assim como os demais estimulantes químicos (cafeína ou drogas, como a cocaína, dentre outros), eles deixam de fazer efeito se tiverem o uso for contínuo e a pessoa passa a ingerir quantidades cada vez maiores para obter o mesmo resultado. “Isso varia muito de pessoa a pessoa, mas em geral, o corpo acostuma e pede cada vez mais. Vira um círculo vicioso grave”, explica Paulo.

Tem limite de consumo? Pode consumir todo dia?

Não deve ser consumido todos os dias, principalmente substituindo sucos, água ou refrigerantes tradicionais nas refeições. O clínico geral Flávio Tocci explica que não há nenhuma indicação positiva comprovada em relação aos energéticos e que ingeri-los uma ou duas vezes na semana não faz mal, mas que consumir este tipo de bebida todos os dias pode trazer complicações, assim como ocorre com a ingestão excessiva de qualquer outro estimulante.
Flávio explica que a quantidade exata permitida depende do organismo e da receptividade de cada pessoa, mas que, em geral, deve-se manter cautela com o consumo destas bebidas. “Tudo o que altera o funcionamento do nosso organismo deve ser consumido com moderação”.